The Pothead Blues

poesia beatnik e pensamentos nihilistas

11 maio 2006

Tabaco e açucar

dizem que eu me relaciono mal com o trabalho. dizem. dizem muitas coisas. mas hoje vou falar uma coisa positiva. trabalhar é...bom. no meu caso, digamos que me faça um bem. como trabalho, sou obrigado a pisar na rua. ahã. rua, aquele lugar. cheio de pessoas. pessoas que trombam umas nas outras. carros que atropelam uns aos outros. eu mesmo atropelo. eu e o ser humano. dessa galera que perambula por sampa, me amarro nos mendigos. os outlaw. a rapaziada tratada com cortesia pelos cops. aqui há vários tipos. mas me amarro nos clássicos. barbudões. velhuscos. de olhos esbugalhados. quando tenho, dou uma moeda. um cigarro. gosto de dar cigarros. é um ato muito fraterno. alivia as dores do mundo. eles gostam mais de um morrete do que pratinhas de cinco cents. outro dia me superei. tinha cidadão sem teto. dormindo. próximo à sarjeta da josé getúlio. rua famosa do nobre bairro da aclimação. onde despontam casas badaladas pela nata da classe média baixa. rodluz. padaria madame. empório dany. pois bem, o bump estava lá, envolto num cobertor estilo campo de concentração. vocês sabem qual é. passei no dany. compras da semana. no caixa, catei um sonho de valsa. cuidadosamente, deixei ao lado do meu amigo. o cara nem sei mexeu, óbvio. fui embora feliz pra casa. sou uma alma boa.

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