The Pothead Blues

poesia beatnik e pensamentos nihilistas

23 maio 2006

punk rock

new york city, again. porque a cibelle, minha amiga da philadelphia, vai passar uns dias em nova iorque. e quer passar pelo cbgb. claro. se o bin laden entendesse um bocadinho de cultura ocidental, ele teria reservado um boeing pro cbgb. foi lá que os ramones deram seu primeiro show. e o television ainda com o richard hell. e o blondie de debbie harry. o cbgb é um boteco ferrado, de porta estreita, corredor comprido, teto baixo e com um palquinho de três-por-três. o suor impregnado na parede azulada desde 1975, o ano zero da era punk rock, papito!
era o verão de 1997. calor tropical. foi quando fiz minha visita ao cbgb. era uma tarde de sábado. passei batido pelo estabelecimento, sem perceber o nome do bar, pintado no toldo, ilegível de tão velhusca a tinta. tive que andar mais um tanto e voltar pra ver que era ali mesmo que ficava a minha versão particular da igreja da natividade. where is the cbgb? is it here?, questionei em meu inglês precário. um caminhão de cerveja, estacionado na calçada, fazia a entrega sabadeira. oh. era ali mesmo. o dono estava exato onde os donos costumam estar, logo atrás do balcão. gordo e tatuado e cabelo comprido. me mostrou o boteco. felizão. "oh, i love the brazilian punk bands", me garantiu, sem saber nomear none. e me garantiu que até o pink floyd (oras) já tocara por ali, muito antes da fase the wall, claro. o cara ainda me vendeu uma camiseta com o nome do bar. camisa que ainda tenho guardada ali na gaveta, pra sempre me lembrar de minhas origens. suportando essa digressão punker, minha mãe fez que achou o bar interessante e voltou a caminhar pelas aprazíveis ruas do village. sim, eu fui ao cêbêgêbê com minha mamãe. sou punk paca.

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