The Pothead Blues

poesia beatnik e pensamentos nihilistas

17 julho 2006

novecentos e três

joss stone voltou de turnê internacional. há semanas e semanas não via joss. saudades. joss stone é minha vizinha de porta, mas, sabe como é são paulo, um cá e outro lá, aglomerada solidão, como diria o poeta tom zé. acaba que a gente nem vê o vizinho de corredor. mas pude acompanhar a chegada de joss em casa. hoje. me espichado atrás de minha porta. adoro esse troço, olho mágico, mas que grande idéia para o voyeurismo urbano, não? a guria loirinha chegou fazendo um esporro danado, uma barulheira com o carrinho de compras. tive o talento e o tempo de chegar sorrateiramente à porta e ali me debruçar voyeuristicamente. pude reparar que joss deu uma bagunçada no cabelo e agora tá parecendo mais a mariana ximenes do que a joss stone. não chega a ser um mau negócio, não. quase abri a porta e ajudei a guria com as mercadorias. quando quero, posso ser um gentleman beat, que isso fique claro pra quem ainda não se tocou do quanto sou afável e cordial a um simples gesto. mas hoje não tive a presença de espírito para tanto. em verdade, quase nunca tenho presença de espírito diante de loirinhas que parecem a joss stone (ou a mariana ximenes). então fico por lá. atrás da porta. espiando em silêncio contrito a elegante graciosidade de uma guria que não sabe que está sendo observada. deve ser meu instinto documentarista. somado à minha bunda-molice.

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